Delegar a responsabilidade da saúde mental e do bem-estar dos
colaboradores exclusivamente ao departamento de Recursos Humanos (RH) é
como esperar que um maestro conduza uma orquestra sem músicos. É uma
utopia acreditar que os RH, por si só, possam garantir o bem-estar
integral de uma organização. Embora desempenhem um papel influente, os
profissionais de RH são apenas uma peça num puzzle complexo que envolve
lideranças, características individuais dos colaboradores e até mesmo a
natureza dos clientes.
Desta forma, a saúde mental e o bem-estar nas organizações são temas
complexos e que exigem uma análise aprofundada e uma abordagem
integrada. São dimensões multifatoriais que atravessam todas as relações
e estruturas organizacionais: lideranças desajustadas, equipas
desmotivadas, carga de trabalho exagerada e culturas empresariais pouco
inclusivas são apenas alguns dos fatores que podem “sabotar” qualquer
iniciativa, por mais bem-intencionada que seja!
Por isto mesmo é que uma cultura organizacional saudável pressupõe um
processo contínuo que requer liderança comprometida, estratégias bem
definidas e a integração do bem-estar psicológico nos valores centrais
da organização. Quando a gestão assume o impacto que as práticas focadas
na saúde, valorização dos colaboradores e da proximidade aos mesmos,
conseguem não só transformar a experiência dos colaboradores, mas também
impulsionar resultados sustentáveis para a empresa.

Todavia, é sabido que um dos desafios evidentes é a baixa adesão aos
programas de saúde mental disponíveis nas empresas, que frequentemente
se situa entre os 20% e 30%. O problema não está apenas na oferta, mas
na perceção e na aceitação. Passo a explicar:
1. Por um lado, o estigma social associado à saúde mental
persiste, levando muitos colaboradores a temerem a exposição em contexto
profissional. Receiam julgamentos, consequências para as suas carreiras
e, no fundo, sentem que admitir dificuldades é sinónimo de fraqueza.
Além disso, enfrentar-se a si próprio nem sempre é confortável – o
autoconhecimento é um processo exigente, e nem todos estão dispostos a
percorrê-lo.
2. Por outro lado, a perceção dos colaboradores sobre estas
mesmas iniciativas: são estas comunicadas com tom de preocupação e de
zelo, por parte das chefias ou com tom de responsabilização dos
colaboradores? As chefias também estão envolvidas neste tipo de ações,
dando o exemplo aos seus ou colocam-se à parte?
O bem-estar organizacional é uma responsabilidade partilhada. Se se
querem empresas verdadeiramente comprometidas com a saúde mental e
bem-estar, precisamos de ultrapassar a ideia simplista de que basta ter
um departamento de RH proativo. Caso contrário, continuaremos a
debater-nos com iniciativas que parecem ótimas no papel, mas que, na
prática, são apenas boas intenções; sem impacto real.
É neste sentido que o Team Mind Matters tem procurado atuar: com vontade
de fazer chegar a responsabilidade social de bem-estar e saúde no local
de trabalho a todos os que dele fazem parte!



