“Com grande poder vem grande responsabilidade”, uma frase que ecoa no universo da Marvel e que também toca numa das questões mais profundas da psicologia: a liberdade. O mês de Abril convida-nos a refletir sobre este valor que carrega em si uma dualidade: direito e dever.
Para Irvin D. Yalom, a liberdade é um dos principais dilemas da vida humana. Embora nos permita tomar decisões próprias, ela também nos obriga a lidar com as consequências dessas escolhas, o que pode gerar, o que o autor chama de angústia existencial. A liberdade, assim, é mais do que uma oportunidade – é um desafio, especialmente porque a falta de certezas absolutas nos expõe ao desconhecido. Isso manifesta-se em decisões do quotidiano, como escolher uma carreira sem garantias de sucesso, arriscar num novo relacionamento sem saber se vai resultar, ou até expressar uma opinião com medo da rejeição.
Para muitos de nós, essa responsabilidade pode ser desconcertante, levando-nos a procurar segurança em estruturas rígidas, tais como regras sociais pré-estabelecidas ou ambientes de trabalho com normas inflexíveis.

No contexto do vinte e cinco de abril, a liberdade conquistada pelo povo português representa esse dilema. O movimento trouxe mais escolhas para as pessoas, mas também causou uma angústia coletiva, porque, assim como na psicologia existencial, a liberdade política trouxe o desafio de lidar com as incertezas e as consequências das novas decisões.
A revolução não foi apenas a oportunidade de viver de forma mais autêntica e democrática, mas também um momento de reflexão sobre a responsabilidade coletiva de construir um futuro mais justo. A conquista da liberdade exigiu que cada português, assim como qualquer pessoa diante da autonomia, aceitasse a responsabilidade pelas escolhas do novo caminho que se iniciava.
Lidar com a liberdade no dia a dia pode ser como escolher uma série na Netflix: estamos rodeados de opções, mas não temos o botão de “saltar intro”. Cada escolha tem o seu risco: podemos perder tempo ou até acabar numa série que não nos convence. O segredo está em sermos autênticos nas nossas escolhas, aprendermos com os episódios menos interessantes e, acima de tudo, não termos medo de mudar de série ou de plataforma sempre que for necessário.





