Se Saulo de Tarso, Apóstolo conhecido como São Paulo fosse o seu Terapeuta de Casal dir-lhe-ia no seu tom eloquente: “O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará.” Esta afirmação foi proferida na sua célebre carta aos Coríntios e não corresponde à verdade.
O amor existe sim, mas com limites. Como lhe diria Anton Tchekhov, célebre escritor russo, se fosse seu Terapeuta de Casal: “Quero um amor como a lua, que não esteja sempre lá”. O que quereria verdadeiramente transmitir-lhe é que o amor é parte da vida, mas não é tudo na vida de um casal.
Mas pode-se viver sem amor? Freud, se fosse seu Terapeuta de Casal dir-lhe-ia que “amar é sofrer, não amar é adoecer”.
Então a resposta é não, não se pode viver saudavelmente sem amar de alguma forma, mas há que ter consciência dos seus desafios. Sobretudo não se pode confundir paixão, desejo, casamento e amor.
A paixão acontece-nos, como em Romeu e Julieta. É um estado de atração intensa em que cada um dos elementos do casal projeta o seu melhor na outra pessoa. Contudo, ela passa, a realidade do outro torna-se mais objetiva, há coisas boas, mas também pequenos hábitos irritantes e lados da pessoa que não se apreciam tanto que se vão descobrindo com o tempo. A paixão caminha de mão dada com o desejo.
Más notícias, desejamos sobretudo o que não temos. Por isso é relevante cultivar a transgressão, um amor em que se possa contar tudo à mãe ou avó é um amor algo aborrecido. O sexo é imprescindível numa relação amorosa?
É importante, mas nem sempre. Contudo, a diversão é necessária e uma forma de manter o desejo em relações longas. Depois da paixão podemos amar, ou não, assim como casar, embora o casamento seja apenas um contrato religioso e/ou legal.
É nesta fase que se dá o ajustamento entre duas pessoas. Quando bem-sucedido, levará ao compromisso, confiança, segurança, construção de objetivos em comum, uma visão da vida partilhada, filhos, crédito à habitação. Porém o amor enfrenta desafios ao longo do tempo, sofre com o decréscimo do desejo e dificilmente, duas pessoas evoluem durante anos e anos da mesma forma.

A Terapia de Casal pode ajudar relativamente aos desafios das relações e do amor. Carateriza-se pela criação de um espaço seguro e livre de julgamentos capaz de promover a expressão de sentimentos e necessidades.
É indicada para melhorar a comunicação, resolver conflitos, divergências relativas à parentalidade, infidelidade, dificuldades na vida afetiva ou sexual, ou ajudar a separar. Se há algum tempo o perfil de casais que procuravam ajuda tinham uma idade superior, estavam envolvidos em relações longas e já bastante desgastadas, atualmente verifica-se uma procura crescente por casais mais jovens, muitas vezes numa fase inicial da relação. Esta mudança explica-se por várias razões.
O contrato religioso do casamento tradicional encontra-se em declínio e já não existe a visão de que uma relação tudo deve suportar.
É precisamente essa maior consciencialização relativamente aos limites das relações, a valorização da saúde mental e que a Terapia de Casal também pode ser preventiva, em vez de exclusivamente remediadora, que ajuda a explicar a sua crescente procura.
Termino com uma das minhas definições de amor preferidas, uma frase atribuída ao filósofo francês André Comte-Sponville, citada pelo Terapeuta de Casal Rafael Manrique no último congresso de Terapia Familiar realizado em 2025 no Porto: “Amo-te. Talvez não correspondas exatamente a tudo o que eu esperava, mas prefiro a tua realidade aos meus sonhos.






