Burnout: fatores e indícios. O investimento na saúde mental no seio das organizaçõescomo meio preventivo e atenuador dos riscos psicossociais.

O investimento na saúde mental no seio das organizações, trazendo benefícios para todos os envolvidos e constituindo um meio fundamental de prevenção e atenuação dos riscos psicossociais – de que o burnout é um bom exemplo –, passa primeiramente por uma ação de mapeamento das conexões existentes entre a implementação de práticas de bem-estar em contexto profissional e as consequências diretas (anímicas e financeiras) daí advindas.

Também conhecido como síndrome de esgotamento profissional, o burnout constitui, neste caso, um tipo específico de stress ocupacional pautado, em especial, pela exaustão emocional e pela quebra de envolvimento pessoal no trabalho, sendo agudizado pela manifestação de eventuais transtornos psicológicos. Associado a problemas alimentares e de sono, doenças cardiovasculares, músculo-esqueléticas e autoimunes, bem como a problemas de saúde mental/psicológica (tais como a ansiedade, a depressão, o alcoolismo ou o suicídio), o quadro de burnout decorre de um acúmulo de indícios aos quais se deve estar atento, designadamente:

  1. Sentimentos de esvaziamento emocional e de grande desgaste da empatia e compaixão pelo outro;
  2. Perceção e avaliação mais negativas sobre o desempenho profissional e as interações estabelecidas;
  3. Quebra na motivação, no propósito e no envolvimento/dedicação ao trabalho;
  4. Menor satisfação com a vida em geral e deterioração das relações familiares e sociais;

Nesse sentido, e ainda que integradas muito paulatinamente no clima organizativo do tecido empresarial, sabe-se o quão importantes são a leitura e a avaliação quer da dimensão emocional, como do quadro de interações interpessoais e profissionais na prevenção de fatores de stress laboral, assim como na atenuação de conflitos e tensões psicológicas que possam emergir na esfera do trabalho. Ao mesmo tempo, reconhece-se identicamente o papel decisivo que as lideranças podem desempenhar no incremento dos níveis de empatia, a criação de ambientes laborais de maior confiança e a aposta na clareza nos patamares de (intra e inter) comunicação.

De facto, e atendendo aos fatores desencadeadores mais comuns no desenvolvimento de situações de stress laboral e de esgotamento profissional, parece não existir dúvidas sobre a pertinência da rede de sociabilidades profissionais e o perfil de liderança organizativa na amenização dos mesmos. Vejamos:

  1. dimensão individual/relacional – presença de excesso de carga de trabalho e falta de autonomia e/ou controlo sobre as tarefas e a organização do trabalho; sentimento de baixo propósito ou significado das tarefas executadas; a realização de tarefas perigosas ou de grande exigência emocional e dificuldades de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional;
  2. dimensão organizacional – cumprimento de horários de trabalho contínuos e excessivos (superiores a 8 horas diárias) e/ou horários por turnos; existência de poucas ou nenhumas pausas para descanso (mais de 5 horas de trabalho consecutivo) e presença de conflitos e/ou má relação entre colegas e superiores hierárquicos;

Nesse sentido, importa ter presente que o esforço na mudança das culturas de trabalho e o investimento na sinalização, prevenção e intervenção de riscos psicossociais permite, desde logo, assegurar maiores índices de eficiência e agilização dos procedimentos diários de trabalho, assim como melhorar a fluidez nos fluxos de comunicação e, em simultâneo, dar respostas céleres às mudanças e/ou momentos de maior crise/tensão encontrados, reduzindo-se em muito os impactos emocional, organizativo e financeiro daí decorrentes.


O Gabinete Psicologia Aliados Corporate disponibiliza, entre outros serviços, a Avaliação dos Riscos Psicossociais e Planos de Saúde e Bem-Estar dentro da sua organização, assim como o Planeamento de uma intervenção que visa responder às vulnerabilidades encontradas.

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