Luto: a dor da ausência

Uma necessidade básica de todos os seres humanos passa por construir relações de proximidade afetiva com os outros. É no contexto de relação que aprendemos a arquitetura do mundo, que desenvolvemos uma imagem acerca de nós próprios e do outro. Não é surpreendente, portanto, que quando perdemos uma pessoa significativa, o nosso mundo interior desmorone. Já dizia Freud “nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos”. São as relações que dão sentido à nossa existência.

Para serem significativas não quer dizer que as relações sejam recordadas como muito positivas e construtivas. Há relações altamente significativas que podem ter sido muito difíceis, conflituosas e repletas de ambivalências. Cada perda é singular e desencadeia um processo de luto muito próprio, com os seus respetivos ritmos, tempos e sentimentos. O que é um Processo de Luto? Trata-se de um processo de adaptação a um mundo sem a pessoa perdida, marcado pela dor da ausência e pela tentativa de dar sentido ao vazio de quem já não está. Não implica apenas processar a falta da presença física e do toque, mas de tudo aquilo que a pessoa representava, da história partilhada, dos planos e sonhos conjuntos que ficarão por concretizar. As pessoas com quem estabelecemos ligações de proximidade emocional são, em si, insubstituíveis. Não quer dizer que não possamos alargar as nossas redes e ter outras figuras importantes na nossa vida. No entanto, o vazio existe justamente, porque as relações são absolutamente únicas, não há outra pessoa igual, não há uma história de relação igual. Assim, o luto é frequentemente vivenciado como uma experiência dolorosa, de fragmentação da identidade, em que visceralmente é sentido que a pessoa que partiu levou consigo “um pedaço de nós”.


No espaço deixado pela pessoa perdida instala-se a saudade, uma saudade que não é meramente um desejo de reencontro, mas uma recordação viva do que foi vivido. O luto não constitui um processo para esquecer ou uma dor a resolver, mas uma dor a ser sentida e significada, uma perda que se vai elaborando, processando e integrando na nossa vida.

Em diversas situações, o processo de luto segue o seu curso natural, permitindo que a dor dilacerante da ausência se transforme numa saudade saudável que não aprisiona e que deixa espaço à vida. É importante procurar ajuda psicológica quando o processo de luto está a interferir de forma continuada no ajustamento psicossocial, traduzindo-se num intenso e/ou prolongado sofrimento que se torna paralisante, debilitando o modo como se está a exercer os vários papéis de vida. Alguns sinais de alarme que devem motivar a procura de ajuda são isolamento social extremo, sentimentos persistentes de culpa, revolta, ansiedade, tristeza profunda ou vazio, conflitos interpessoais que produzam intenso mal-estar, incapacidade prolongada de retomar as rotinas diárias, alterações significativas nos padrões de sono e de alimentação, consumo aumentado de substâncias e pensamentos suicidas.

No Gabinete Psicologia Aliados encontramos uma equipa de profissionais humanos, sensíveis e experientes, capazes de acolher cada experiência na sua singularidade e de amparar o processo de luto, num espaço seguro e colaborativo onde é possível aprender a carregar a dor, a lembrança, conviver com a ausência e construir novos sentidos para a realidade, criando uma nova relação: interna, simbólica e que perdure dentro de nós.

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