Como nasce um relacionamento?
A atração é um estado que carateriza o início de todos os relacionamentos íntimos. Nos primeiros momentos de um encontro a oxitocina e a dopamina atuam em conjunto conferindo-nos confiança e motivação para nos aproximarmos de outra pessoa. A oxitocina é um neuroquímico produzido no cérebro que ajuda a diminuir as nossas inibições “acalmando” ou desativando a amígdala, pequena estrutura no centro do cérebro onde reside o medo. A dopamina é a substância química de recompensa geral do cérebro e é libertada quando vemos alguém por quem nos sentimos atraídos, dando-nos o “empurrão” de que necessitamos para nos conectarmos com a pessoa.
O facto de sentirmos ou não atração quando trocamos olhares com alguém deve-se ao resultado de um cálculo algorítmico complexo realizado pelo nosso cérebro em resposta aos dados dos nossos sentidos, nomeadamente a visão, audição e olfacto.
Todos nós diferimos relativamente ao que achamos atraente, mas existem algumas tendências gerais que podemos identificar a partir da ciência. Por exemplo num estudo de rastreio ocular, realizado por Garza, Heredia e Cialicka em 2015, demonstrou-se que os homens olharam primeiro para a cintura de uma mulher desconhecida antes de passarem para o rosto. Os homens são avaliados pela sua proporção ombro-cintura e pela sua altura. Para ambos os sexos o rosto, e mais precisamente o seu grau de simetria, são uma informação vital quando avaliamos o valor de um potencial parceiro, já que existe uma relação estreita entre a simetria e genes saudáveis. Mas é o cérebro humano o órgão mais sexy porque nos permite usar a linguagem de forma criativa, sermos humorísticos, produzir obras de arte ou música. Tudo isto são indicadores de flexibilidade cognitiva, inteligência ou capacidade de resolução de problemas.

O maior cego é aquele que não quer ver?
Os neurologistas Bartels e Zeki (2000), com base em visualizações do cérebro em tempo real pediram a um conjunto de pessoas, apaixonadas por alguém que visualizassem fotografias do seu parceiro romântico e de três dos seus amigos mais próximos. As diferenças foram claras. No caso do amor romântico a cabeça do núcleo caudado e o putâmen, ambas áreas do cérebro límbico inconsciente, aparecem destacadas, assim como as áreas do córtex pré-frontal onde residem os principais comportamentos sociais conscientes, como a confiança e a empatia. Mas tão importantes como essas ativações foram as “desativações em áreas como a amígdala, mostrando uma redução do medo e deteção do risco, e no córtex pré-frontal medial, que desempenha um papel na capacidade de entendermos ou prevermos as intenções dos outros.
Estes resultados são significativos porque fornecem evidência de que a crença de que “o amor é cego” não é apenas um mito. É genuinamente verdade que quando estamos apaixonados tornamo-nos menos aptos a avaliar os riscos potenciais do relacionamento e a nossa capacidade de compreender corretamente a intenção de alguém fica enevoada. Quando se trata de identificarmos um mau parceiro, pode ser melhor ouvirmos os nossos amigos do que confiarmos inteiramente no nosso próprio julgamento.






