A solidão é um fenómeno psicológico que transcende disciplinas e inspira
diferentes áreas da ciência, da arte e da cultura. É um sentimento
discreto, mas profundo, que reflete uma condição inerente à experiência
humana. Falar sobre solidão é, na verdade, falar sobre vida. Como seres
humanos somos também seres sociais, por isso, somos movidos pela
necessidade de nos relacionarmos. Contudo, estar em relação não é apenas
um desejo.
John Cacioppo, um teórico e investigador de referência no âmbito da
solidão, destaca que somos biologicamente programados para a interação e
que estar em relação é vital para o nosso desenvolvimento e bem-estar.
Quando esta necessidade não é satisfeita, implementa-se a conjuntura
ideal para nos sentirmos sós.
Sentirmo-nos sós não implica ou significa que estamos sozinhos. Ainda
que a solidão e o isolamento social possam caminhar lado-a-lado, são
conceitos e fenómenos distintos. Estar sozinho (isolamento social)
refere-se à ausência ou escassez de interação e envolvimento social,
enquanto sentir-se só (solidão) é uma experiência emocional subjetiva e
complexa, que pode surgir mesmo em contextos rodeados de pessoas.
Podemos estar fisicamente acompanhados, mas sentir-nos emocionalmente
desconectados, ou, pelo contrário, estar sós e encontrar nessa solitude
um estado de realização. A solidão pode ser desencadeada por transições
de vida, perdas ou até surgir sem motivo aparente, como descreve Mitch
Albom ao comparar este sentimento “a uma sombra que cai sobre nós”.

À medida que o calendário avança e fevereiro nos envolve na celeridade
da rotina, acompanhado das expectativas sociais associadas ao Dia de São
Valentim, pode emergir uma intensificação de sentimentos de desconexão.
É face a estes sentimentos de desconexão, que o eco do silêncio interior
pode tornar-se ensurdecedor, fazendo-se acompanhar pela sensação de não
ser compreendido ou de não pertencer.
Compreender a solidão como parte da experiência humana é um passo
essencial para aprender a gerir a sua presença. A solidão, ainda que
dolorosa, é importante. É uma mensageira poderosa, que nos convida a
ouvir as nossas necessidades e a descobrir o que nos faz falta, seja
proximidade emocional, suporte, ou até a libertação de expectativas
irreais. Quando ignorada, a solidão pode configurar-se numa fonte de
sofrimento, desencadeando sentimentos de tristeza, ansiedade e desamparo.
Reconhecer um estado de solidão requer coragem. Permitir-se a lidar com
ela não significa isolar-se ou evitá-la, mas sim abrir-se à partilha. Ao
comunicar e dar espaço a este sentimento junto de pessoas de confiança,
abrem-se caminhos para laços mais robustos de apoio, intimidade e
cuidado mútuo.
Acima de tudo, é essencial parar para olhar para dentro e ouvir-nos.
Afinal, o que poderá ser mais ensurdecedor que o eco de um silêncio que
implora por ser ouvido e permanece inexplorado?
No Gabinete Psicologia Aliados, acreditamos que nenhum silêncio deve ser
ignorado. Estamos aqui para a/o ouvir, acolher e ajudá-la/o a dar voz a
si mesma/o.






